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Você é feliz?

18/03/2015

Numa certa época da minha vida, eu morava num sítio no interior, muito verde, paz, tranqüilidade, trabalhava para mim, um homem bruto de feição, grande, forte, mas meigo, educado, chamava-se João Batista, era casado e tinha um filho que se eu não me engano chamava-se Leonardo.
Trabalhador de mão cheia era meu companheiro durante todo o dia, pois eu o acompanhava em quase todas as atividades do sítio, plantar, cuidar das criações de animais, etc. Com o tempo comecei a me tornar íntimo daquele homem, e um dia lhe fiz uma pergunta: “João me responda uma coisa, você é feliz?”, imediatamente me respondeu: “Claro que sou doutor, pois eu e minha família temos saúde, tenho minha horta, possuo minhas vaquinhas, e isso é tudo que preciso para ser feliz” me respondeu com um sorriso nos lábios, aquele homem imenso.
Neste momento eu o medi de cima abaixo, ele estava todo sujo, maltrapilho, fedido, mas com um sorriso que ia de orelha a orelha, por ter me dito tudo aquilo.
Naquele momento comecei a repensar em minha vida, pois eu teria uma outra expectativa de felicidade, mas na realidade eu cheguei à conclusão que não o era.
Do que adiantava, eu ser dono do sítio, patrão daquele homem, e não tinha nem dez por cento daquela felicidade que o João emanava de seu rosto. Pedi licença aquele grande homem e um homem grande, para poder pensar.
Sentei na minha rede, dentro de uma casinha de sapé que o João construiu para mim e comecei a fazer uma retrospectiva da minha vida, dinheiro, carro importado, roupas caras, mas nunca sorri daquele jeito, e isso me incomodava e muito, por que o João sorria daquela maneira?
O dia passou, chegou à noite, adormeci, acordei e lá estava eu, sozinho, no escuro total, somente ouvindo o barulho do silencio e dos animais noturnos, foi quando dei por mim e finalmente descobri o que era ser feliz.
Ser feliz era acordar todos os dias e abrir os olhos, ser feliz era poder ter receio da escuridão, escutar tudo, enxergar mesmo que no escuro, enfim , é estar vivo e atento a tudo e a todos, e dar o devido valor ao ar que respiramos, sentir o gosto da água, ver a lua, é viver a plenitude da vida.
Comece a repensar, se você é efetivamente feliz, pois se não o for, estas perdendo o seu precioso tempo, para alcançar a felicidade que está ao seu alcance.

“Felicidade é sentar na calçada com seu filho, e jogar
bolinha de gude com ele em pleno dia de trabalho”.
Mario Bastos

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